sexta-feira, 2 de março de 2012

Diário da tua ausência VI

Custa, não é?
Custa quando no fundo estamos mortos e temos de nos fazer de vivos por fora. Custa quando nada é como queremos, mas mesmo assim não paramos de sorrir e de tentar ajudar os outros. Custa quando olhamos para alguém com aquele brilho, com aquele sorriso escondido e com aquela ternura e a outra pessoa nos diz "é tão bom ter um amigo como tu". Um amigo?!
Ficamos a pensar que nem vale a pena demonstrar nada, não vale a pena nem comentar o que se sente... Vale mais ficar calado. Vale mais ignorar o coração e também a cabeça que tende a não largar a imagem dessa pessoa. Vale mais deixá-la partir e com ela, ir tudo. Desde as coisas mais simples, às mais complexas. Vale mais não ter sentimentos. Vale mais nunca gostar de ninguém e vale mais apaixonarmo-nos por nós mesmos... dessa forma, eu tenho a certeza que não me magoo. Eu tenho a certeza que não me vou ferir e deixar essa ferida a escorrer sangue a vida toda.

E quando se ama, não se escolhe quem é. Vem por acaso. Enche-nos e preenche-nos sem darmos conta do sucedido. Transbordamos sorrisos, o brilho no olhar é visível aos olhos do mundo, a maneira de estar é envergonhada, mas de que vale tudo isso? Depois, quando é para desaparecer, parte-nos o coração. Faz-nos chorar desalmadamente. O olhar fica escuro e vazio, negro e com uma vontade imensa de passar para fora a tempestade racional. Não é mau, quando se ama, é mau, sim, quando se tem de deixar de amar. Por vezes à força, outras tantas por vontade própria e o pior é quando sentimos que não vamos conseguir pôr isso para trás das costas e seguir em frente num todo.

O amor... o amor é como morrer interiormente. Acaba sempre por ser assim. É ilusão e desilusão. É o prazer e o desgosto. É a felicidade constante e intemporal como a infelicidade interminável. É tudo... Mas a maioria das vezes é nada. É o sorriso e a mágoa. É a dor mais profunda. É o querer e não querer. E ficamos entre o poder ter e não poder. O amor, é uma antítese constante de sentimentos que nos satisfaz por momentos... apenas, por momentos.

Amar alguém, já fez parte dos meus planos. Eu já quis. Também já consegui e senti toda a felicidade do mundo. Só não foi eterno como queria. Só não foi tudo como eu pensava. Eu errei, magoei, fui magoada e sofri. Também fiz sofrer, também desiludi e iludi... Fiz trinta por uma linha e hoje, estou aqui, bem sozinha. O ser humano é forte, porém, traiçoeiro. Sim, eu sou forte, mas não de ferro, todavia, de uma coisa eu tenho a certeza: já não me custa amar quem não me quer. Já não me custa ouvir o que me fazia confusão. Custa-me sim, não ver quem amo feliz. Custa-me sim... — prefiro o silêncio... — custa-me muita coisa. Custa-me o que não devia custar e magoa-me o que não faz sentido magoar. Contudo, ausentei-me do amor. Ausentei-me da dor e de todas as sequelas que este pôde deixar. Anestesiei-me com outros tantos sentimentos que em mim cabem. Anestesiei-me com a amizade dos mais próximos e vivo assim...
Amo alguém, sem esse alguém saber. Sofro, sem esse alguém saber. Magoo-me. Magoa-me tudo... Sem esse alguém saber. Choro, — porém, por dentro — sem ninguém dar conta. E ouço, ouço tudo, mas reconheço que não devia. Penso até, que devia ficar lá no cofre onde o meu coração alberga esse tão desejado ser humano e esse tão pérfido amor. Ainda assim, sou feliz. Eu tenho tudo o que poderia querer e o que não tenho, um dia, sei que me há-de vir parar aos braços um alguém com tantas ou mais capacidades do que outro alguém um dia já teve. — por muito que duvide, até sou capaz de acreditar nisso.
Outrora, eu tive uma felicidade conjunta. Hoje, volto a dizer que sou feliz, individualmente. Mas sou e isso, é o que realmente me importa.

O amor... ó, o amor está dentro de mim à espera que alguém seja capaz de o despertar e até lá, eu espero. Espero sem contar os dias, espero sem desesperar, porque cada dia é mais um em que o meu sorriso não vai desaparecer.

7 comentários:

Anónimo disse...

Leria este desabafo umas mil vezes se fossem precisas. O teu silêncio torna-te forte, mas mata-te. Não deixes que isso te preencha. Diz o que sentes e o que te apetece dizer... Não vale a pena guardares para ti. Confia em mim e diz.
És linda por dentro (gostava de conhecer por fora) fica bem, sim ?

Flávia Araújo disse...

Ó meu Deus, obrigada :) continuo a dizer, sejas tu quem fores, agradeço muito...

Lídia Jesus disse...

És sempre muito grande, meu amor!**

Flávia Araújo disse...

Obrigada, Lídia. Obrigada mesmo!

Pedacinhos de mim disse...

Por vezes damos por nós a viver um silêncio perturbador, refugio dos nossos sentidos, ancora do nosso viver presente. Depende apenas de ti, rompe amarras, vive de sonhos e pintar os dias de todas as cores que possas, repletos de sorrisos, abraços apertados, melodias alegres. Bonitas as palavras e certamente se procurares a força dentro de ti a irás encontrar porque tens essa força, porque tens esse enorme sentimentos que cresce dentro de ti. Gostei muito :)*

Bruna Silva disse...

Adorei, está perfeito mesmo!!

Fernando Gonçalves disse...

Olá, parabéns pelo seu blog.
Te convido a conhecer o meu,
http://carmasepalavras.blogspot.com/

;)